quinta-feira, 17 de abril de 2014

A Última Ceia

Misteriosamente antecipando o Sacrifício que iria oferecer, dentro de algumas horas, Jesus põe fim a todas as «figuras», converte o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, apresenta-Se como o verdadeiro cordeiro pascal – o «Cordeiro de Deus» (Jo. I, 29).


Jesus entrega-se na Eucaristia da forma mais simples e próxima que poderíamos imaginar: num pequeno pedaço de pão. A Sua forma de se expor, contrariamente àquilo que poderíamos pensar, é sempre na pequenez, na simplicidade, no silêncio. Assim foi o Seu nascimento, assim foi na Sua Vida ao fazer-se Servo.
Na Eucaristia Deus faz-se Pão e fica em silêncio diante de nós. E, assim, atrai o nosso olhar, convidando-nos ao agradecimento... 

domingo, 13 de abril de 2014

‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro’.

Giotto

«‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro’.» (Mt 21, 5)
   
As portas de Jerusalém abrem-se para Jesus. Há ramos e cantos. A multidão, como sempre, segue a marcha e faz a festa. Finalmente – pensarão muitos –, o Mestre será reconhecido e aclamado por todos. Chegou a hora decisiva, o momento do grande encontro. É tempo de paixão.
Na realidade, ainda que rodeado por tantos, Jesus entra só. Nem os discípulos estão com ele.  Mas quem poderia estar com ele? É duro de aceitar que, para ganhar a vida, se há-de perdê-la. Como comungar os sentimentos de quem assume a condição mais baixa de servo, pretendendo revelar, assim, toda a beleza de Deus? Como reconhecer o Messias em quem aceita humilhar-se até à vergonha da morte numa cruz? Não foi, Jesus, profeta poderoso em palavras e obras? Como poderá, então, aceitar calar-se como uma ovelha muda, levada ao matadouro?
Em breve, todos os hossanas cessarão. A aclamação dará lugar à queixa e as palmas à indiferença. O verde dos ramos ficará rubro, cor de sangue. O Rei será revestido de nudez. Terá espinhos por coroa e feridas por jóias. Na cruz terá a sua glória. Será exaltado pela humilhação.
Quem reconhecerá no servo desprezado o mais belo dos homens? Quem ficará aqui, assim, em tamanha confusão, em tão grande silêncio? Ficarão os pobres e os apaixonados que se deixarem enriquecer por tão grande amor. E ficará o discípulo que aceitar nascer de novo. Reconhecido, ficará pronto a ir até aonde for o seu Mestre.
Que esta Quaresma nos conduza a Jerusalém. A cidade santa espera que os nossos passos sigam firmes na senda d’Aquele que já fez o mesmo caminho.
Arrisquemos nesse seguimento. Mesmo que a luz teime em esmorecer dentro de nós. Mesmo que nos impeçam de caminhar atrás do Mestre. A cidade santa espera por nós.
Não queiramos voltar as costas à cruz que a cidade nos entrega. Sigamos atrás desse desejo de vida que nenhuma dor será capaz de enterrar.

P. José Frazão, sj (adaptação)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Informações úteis


Lembramos mais uma vez, que no dia 12 haverá catequese a começar às 16:00h, com confissões e Celebração de Ramos e Eucaristia às 18:00h.

Dia 8, terça-feira às 21:00h temos aqui nesta Igreja celebração com confissões. É uma oportunidade privilegiada de reconciliação para a Páscoa.

Sexta-feira dia 11 às 16:00, haverá Celebração da Santa Unção e às 21:00h teremos a VI Conferência sobre o Concílio Vaticano II orientada pelo P. José Augusto Sousa.



domingo, 6 de abril de 2014

IV Domingo da Quaresma

Giotto

«Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: “Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”. Jesus comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pu­sestes?». Responderam-Lhe: “Vem ver, Senhor”. E Jesus chorou». (Jo. 11, 1- 45 extratos)

 Chora, porque eram amigos. E reza: “Pai, dou-te graças. Sempre me ouves”. Por fim, aproximando-se do sepulcro, brada: “Lázaro, sai para fora”.
É fortíssimo o grito de Jesus. Ainda podemos ouvir o seu eco. De pé, diante de uma existência sem futuro, de um corpo já em decomposição, Jesus chama, de novo, à vida: “sai para fora”. ‘Deixa o sepulcro onde te encontras, as trevas que te cobrem; larga a morte que te ata, o medo que te paralisa; levanta-te e anda. Vem à luz. Vai. Vive. 
Da morte à vida, esta é a grande passagem. Desde que nascemos. Para todos. Para cada um. Do medo à confiança. Da separação ao encontro. Da insensibilidade à atenção. Da frieza à ternura. Do ressentimento ao perdão. Da fraqueza do pecado à fortaleza da graça. Estranhamente, querendo a vida, ligamo-nos ao que nos traz a morte. Querendo o bem, fazemo-nos mal
Fazendo caminho connosco, Jesus faz-Se passagem, Ele, nossa Páscoa. Livremente, adianta-se e segue à frente. Dará tudo para que vivamos. Dará a própria vida. E, assim, vencerá todas as nossas mortes, enxugará todas as nossas lágrimas. Aceitará descer, ele próprio, a todos os sepulcros para que, quem está morto, reaprenda a viver e viva para sempre.  
Que esta Quaresma nos ensine o caminho de Jerusalém. E deixemo-nos morrer. A terra que somos será nova quando o milagre da vida irromper.

P. José Frazão, sj (adaptação)



sábado, 5 de abril de 2014

domingo, 30 de março de 2014

IV Domingo da Quaresma


«Eu creio, Senhor». (Jo 9, 38)

Jesus toca os olhos ao cego e o cego passa a viver de uma luz nova. Nascera assim. Mas, como se não bastasse ter que viver privado de luz, de cores e de formas, pesava sobre si uma terrível culpa. Desde cedo lhe disseram que era cego porque alguém tinha pecado. Ele próprio? Os seus pais? Os seus avós? Alguém, seguramente.
“Isto não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais”, é Jesus quem o assegura. Porque a glória do Senhor manifesta-se, não em qualquer forma de castigo, mas quando a luz volta a brilhar para quem dela ficou privado e quando, quem deixara de ouvir, pode apreciar, de novo, o gosto das palavras; manifesta-se quando os paralíticos reaprendem a viver de pé e as pessoas de má vida recuperam a própria dignidade; quando os tristes retomam confiança e os desesperados reencontram um novo horizonte. Na verdade, o desejo mais íntimo de Deus é que, para cada homem e para cada mulher que venha a este mundo, a vida brilhe e brilhe muito.  
Jesus toca o cego. E este, profundamente tocado, ajoelha-se e confessa: “Eu creio, Senhor”. Agora, sim, pelo dom da fé, recupera plenamente a vista. Pode levantar-se com confiança e apreciar a vida e o mundo, reflexos extraordinários da beleza divina. 
  Que nesta Quaresma o Senhor nos conceda a graça de nos abrir os olhos, para podermos dizer, como o cego “Só sei uma coisa: eu era cego e agora vejo!” (Jo 9, 25)


                            P. J. Frazão, sj (adaptação)

sábado, 22 de março de 2014

III Domingo da Quaresma

Sierger Koder
 «Dá-me de beber» (Jo 4, 10)

Milagre é o encontro entre duas pessoas. Tão necessário como a água; tão precioso como os poços no deserto. É este o milagre que vemos acontecer no encontro de Jesus com a Samaritana, à beira do poço.
É pelo reconhecimento recíproco que a água vai jorrando. Jorra a Vida pela vida de um e de outro: a vida incerta da mulher e a vida de que Jesus vive, da qual a Samaritana quererá beber. 
Onde se revela Deus, aqui, senão no espaço de hospitalidade que acontece entre a sede de um e a água do outro? E o que há entre eles senão o poço do reconhecimento? Porque se sente acolhida no que é – não tem que fingir ser quem não é –, a mulher da Samaria reconhece todo o dom de Deus. Chega ao reconhecimento de quem é Jesus. N’Ele, reconhece todo o dom de Deus, fonte inesgotável de água que mata todas as sedes.                  
As circunstâncias e as ocasiões – um poço ao meio dia, um copo de água, uma refeição ao entardecer, lugares comuns do nosso quotidiano, que poderão ser o lugar no qual reconhecemos Aquele em quem e por quem Jesus vive. Entre nós, revela-se a Vida, fonte da qual brotam as águas, saciedade à qual suspiram as sedes.
Que cada um, na sua experiência concreta de vida, possa aprender a perder o medo e a deixar-se amar. Antes de mais, por Deus, “fonte da qual brotam as águas; sol do qual brilham os raios”. É d’Ele que brota a vida pela qual ansiamos.

 (padre J. F. sj . adapt.)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Tomada de posse - Provincial dos Jesuitas



No dia de São José, 19 de março, o P. José Frazão Correia tomou posse como Superior Provincial dos jesuítas em Portugal, na Eucaristia celebrada na Igreja do Colégio São João de Brito, presidida pelo seu antecessor, P. Alberto Teixeira de Brito. 
O novo Provincial sublinhou a centralidade de Jesus na vida de todos, de modo particular na vida desta Companhia que tem o Seu nome, que indica a pertença a Jesus e ao Seu modo de proceder, sublinhando também a importância da abertura à Graça, "ao sobressalto da Graça, aos caminhos inéditos que se abrem". Manifestou a sua intenção de viver a simplicidade e grandeza do Evangelho convidando a que todos dediquemos ao Evangelho o melhor de nós mesmos, "tudo para a Glória do Senhor e o bem dos irmãos. Terminou com a leitura de um poema de Daniel Faria: Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo.

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo

Este é o dia novo. Sei-o pelo desejo
De o transformar. Este é o dia transformado
Pelo modo como apoio este dia no chão.
Coloco-o na posição humilde dos meus joelhos na terra
Abro-o com os olhos que retiro de todas as coisas quando os fixo
Na atenção.

E fico atento, fico deitado porque não sei crescer
Num terreno que se levante.
Cresço na clareira de um homem que é uma palavra
Na sua túnica inteira
Porque este é o sítio do dia sem horário
Sem divisões

E ponho-me de frente no seu lado,
Nos seus braços abertos para me unir
E entro pelo lado aberto e ardo – como Elias
Em chamas subindo para o céu.

Faria, Daniel, Poesia, Vila Nova de Famalicão:Quasi, 2003



domingo, 16 de março de 2014

II Domingo da Quaresma

          «Este é o meu Filho muito amado.
Escutai-o» (Mt 17, 5)

A Transfiguração manifesta a profunda e maravilhosa realidade de que somos co-herdeiros na glória dos fi- lhos de Deus.  
A luminosidade do Tabor projecta uma luz sobre as sombras do nosso mundo, as nossas faltas de esperança e aponta para um sol sem ocaso. A visão do Tabor é uma experiência aberta a cada um de nós, quando estamos em sintonia com o nosso ser mais íntimo: Deus. É uma iluminação, um vislumbre do nosso verdadeiro destino.
Jesus sobe ao monte. Leva consigo Pedro, Tiago e João. Lá, aqueles discípulos - e nós, com eles – podem ver Jesus como “o mais belo entre os filhos do homem”.  
Envolvidos por uma grande luz, ouvem do céu uma voz que diz: “este é o meu Filho muito amado” e profundamente tocados por este rosto transfigurado reconhecem que é bom estar ali.
Sim, será muito bom estar ali. Também para nós.
Na montanha, perto de Deus, embora cansados da viagem da vida, Jesus convida-nos também a olhar para cima, para Ele, a vê-lo como o Senhor que tem poder sobre o sofrimento e a morte.    
Mas como será e onde quereremos estar quando o Seu rosto, desfigurado pelo sofrimento, nos fizer desviar o olhar? Seremos capazes de suportar o silêncio do céu e a intensidade desse grito “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”.
O rosto transfigurado de Jesus revela-nos, hoje, que, entre todos, é o mais belo. O seu rosto desfigurado revelar-nos-á, amanhã, que é o mais belo porque dá a sua vida por todos. A beleza está na entrega. Jesus sobe, porque aceita descer; brilha, porque aceita apagar-se.

(p. J.F. sj e Rina Risitano “in a Loucura de Deus”
‘adaptações'

Pintura Sierger Koder