sábado, 13 de dezembro de 2014

Ceia de Natal


3ºDOMINGO DO ADVENTO


REFLEXÃO SOBRE AS LEITURAS DO 3º DOMINGO DO ADVENTO ISAÍAS 61,1-2.10-11; LUC.1,46-54;1 TESSALONICENSES 5,16-24; JOÃO 1,6-8.19-28

A ALEGRIA FRUTO DUMA PROMESSA: FÉ SEM “VER”. Hoje, todas as leituras deste Domingo, e o Cântico de Maria (Magnificat) nos convidam à alegria, ao júbilo e à esperança. Paulo diz: “vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é, a vosso respeito, a vontade de Deus em Jesus Cristo (1 Tes.5,16-18). O profeta Isaías também nos anuncia um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim. João Baptista no Evangelho leva os interlocutores a conhecerem Jesus a quem o Pai enviou e nisto consiste a alegria de João e a nossa alegria pela vinda do esposo que vem realizar as núpcias com a sua esposa, a humanidade. É, por isso que este 3ºDomingo do Advento se chama, na Liturgia, o Domingo Gaudete, um Domingo de júbilo, de alegria. Alegria, evidentemente, porque se aproxima o Natal, o dia do Nascimento do Verbo de Deus. Este nascimento de Jesus traz-nos à memória, o dia do nosso nascimento para a graça, o dia do nosso Baptismo. Nasce Jesus Cristo, segundo a carne, como nos relata a Escritura e renascemos nós, segundo o Espírito Santo, para sermos filhos de Deus, filhos no Filho, isto é, filhos por graça de Deus, no Filho de Deus por natureza. E que motivo maior do que este para darmos acção de graças e para termos alegria e grande júbilo?! A alegria não vem mencionada no Evangelho que hoje proclamamos, mas ela não está longe do mesmo Evangelho de João, porque, em 3, 29, o Baptista declara que a sua alegria é perfeita pela vinda de Cristo ao mundo, o esposo a quem pertence a esposa, a humanidade. Uma alegria que é a certeza da vinda de Deus ao nosso mundo, alguém que ainda não chegou. Isaías não vê a libertação de seu povo senão de longe. Maria não é ainda Mãe, mas alegra-se, juntamente com a sua prima Isabel. A esperança faz habitar, desde já, em nós, a alegria que esperamos: a gravidez é gozosa por causa dum nascimento futuro e Maria, grávida de Jesus, sente o Menino estremecer de alegria no seu seio. Tudo o que ela vive está ainda em gestão, mas com o selo da promessa de Deus que é fiel. “Darás á luz um Filho”.Jesus vem visitar-nos e a perspectiva da sua vinda nos torna já felizes: já e ainda não, dirá S. Paulo, no seu fervor de amor a Cristo, a Jesus Cristo, meu Senhor como o Apóstolo gosta de expressar-se! Isaías, a própria Maria, Isabel, Paulo e nós, alegramo-nos com a sua vinda. Mas nada pode justificar esta alegria senão a fé ouvida e entendida pelo coração, uma palavra que é uma promessa. Fé sem”ver”. Nós viveremos desta fé sem ver até ao último dia da nossa vida. E é necessário que assimilemos isto, neste Natal. A proximidade de Deus feito Menino, num bercito de criança, a sua passagem pela Palestina, a Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus, as experiências místicas do nosso encontro com Ele na oração, são o alimento dessa nossa fé sem ver. Caminhamos, como se víssemos o invisível à imagem e semelhança dos crentes que no refere a Carta aos Hebreus no Capítulo 11: Pele fé, Abraão foi em demanda duma Terra, a Terra Prometida…Pela fé, Moisés tirou o Povo do Egipto e confiou que havia de passar com ele o Mar Vermelho, a pé enxuto, pelo poder de Deus…

TRÊS VEZES “NÃO”   , A HISTÓRIA DUMA VOZ E O “SIM” DE JOÃO: Um Profeta foi enviado por Deus chamado João. Ele veio para dar testemunho da luz para que, por meio dele, todos vissem a luz, ma a seguir, João faz uma precisão importante: ele não é a Luz, mas veio para dar testemunha da Luz. É impressionante a humildade e verdade de João pela resposta taxativa dada aos enviados dos sacerdotes e levitas que vêm de Jerusalém para lhe perguntarem se ele é Elias, o Profeta de fogo esperado como defensor da Majestade de Deus, se Ele é o Messias esperado. A isto, responde João, com toda a humildade e verdade: NÃO. Eu não sou a Luz, eu não sou Elias, Eu não sou o Messias esperado. Mas como ninguém pode viver apenas por negações, João também se define por um SIM. Eu sou uma VOZ que clama no deserto. Jesus, desde toda a eternidade, é uma presença escondida, interior a toda a humanidade, mas todas as palavras do passado (Elias, Isaías…) anunciavam e preparavam João e João anunciava e preparava Jesus: o próprio Jesus, no discurso da Ceia anunciava e preparava a vinda do Espírito Santo e a sua própria vinda como Cristo na glória. A Palavra circula, desde os começos da criação e não encontra descanso. Passa, mas em cada passagem, ela se enriquece com o que nós lhe retribuímos. Esta Palavra vem das origens. No princípio era o Verbo. E o Verbo era Deus e o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Quando João diz que é uma voz esta voz de João não é a sua voz, mas uma voz que vem desde o começos, a voz criadora e salvadora e a alegria de João é, através da sua voz, ouvir a voz do esposo (Jo.3,29) que vem celebrar as núpcias com a humanidade. Todo o nosso ministério na Igreja, todas as nossas palavras, toda a nossa catequese, todas as nossas homilias, são para que todos crêem na Palavra que nos pode salvar, Jesus Cristo. Não é em vão que na missa do dia de Natal se medita no Prólogo do Evangelho de S. João que nos narra a aventura dessa Palavra, do Verbo de Deus, até chegar a nós em Jesus Cristo.

ENTRE VÓS ESTÁ ALGUÉM QUE VÓS NÃO CONHECEIS: Sim. Não o reconhecemos à primeira vista, mas está João e os nossos irmãos na fé para no-lo darem a conhecer. Se temos fé, este intercâmbio é mútuo. Eu recebo Cristo na minha vida e dou a conhecer isto aos demais. É a corrente interminável de fé-testemunho. Cristo é sem cessar a encontrar, a reconhecer e a dar a conhecer e deste conhecimento nasce o amor. Ele veio, Ele vira e voltará sempre. Certamente que as nossas tristezas e alegrais não passam, mas, com Cristo na nossa vida, passamos a vivê-las doutra maneira. Também as nossas alegrias permanecerão as mesmas, mas vividas doutra maneira. PORQUE DEUS ESTÁ CONNOSCO. BOAS FESTAS DESTE NATAL.

P. José Augusto Alves de Sousa S.J

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A IMACULADA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE PORTUGAL


O DOGMA. O dogma da Imaculada Conceição data de 1854 no tempo do Pontificado de Pio IX. Este dogma não deve ser confundido com a concepção virginal de Jesus, conceito que remonta às Escrituras. Quando invocamos a Virgem Maria, como se diz no Concílio Vaticano II, é necessário que nos acautelemos de todo o exagero e também duma demasiada timidez para podermos dizer verdadeiramente qual a vocação  e missão de Maria. Este dogma é datado de 1854, mas a sua afirmação remonta ao século V. A Imaculada Conceição é a afirmação, segundo a qual, Maria nasceu preservada do pecado original por obra e graça de Deus. Quanto à sua conceição, nada tem de extraordinário : Maria nasceu da união normal dum homem e duma mulher. Pela tradição cristã, conhecemos os nomes de seus pais: S. Joaquim e Santa Ana.

 Esta afirmação, tornada Dogma, em 1854, impôs-se muito cedo, na Igreja e ela é praticamente afirmada muitos séculos antes. Entre nós portugueses, desde os primórdios da nossa nacionalidade, se venera a Imaculada Conceição. Lembremos, por exemplo, a sua devoção no Concelho de Vila Viçosa e a vinculação à realeza. O Concílio de Éfeso realizado em 431 punha a seguinte pergunta : pode dizer-se que Jesus é verdadeiramente Filho de Deus? É este homem ou este Deus que morreu na Cruz? O Concílio, afirmando que Jesus é Homem e Deus põe de maneira nova a questão de Maria. Esta recebe o título de Mãe de Deus, a « Theotokos » (portadora de Deus) que é também uma afirmação cristológica.  Por causa da afirmação de Maria como Mãe de Deus (Theotokos), o Povo de Éfeso,  numa das Praças desta cidade, manifestou, na altura, publicamnte, o seu contentamento. A partir desta data, o culto de Maria até então bastante restrito, espalhou-se por toda a cristandade. Maria começa a ser festejada no dia 15 de Agosto, tanto na Igreja do Oriente como na do Ocidente.

MARIA CONCEBIDA SEM PECADO? É, também, a parir de 431 que se põe a questão da virgindade e da santidade de Maria. Até esta data, os Padres da Igreja tinham diversas opiniões sobre o assunto. De um modo geral, diziam que Maria, como todo o ser humano contraiu o pecado original. Santo Agostinho, por exemplo, defensor intrépido da doutrina do pecado original contra os chamados Pelagianos, sustenta que Maria não pode escapar ao pecado original, mas ela tem sido santificada, muito cedo. Esta interpretação não satisfez ao Oriente cristão. Mas a partir de Éfeso, põe-se verdadeiramente o problema: Jesus poderia ser formado por alguém em contacto com o pecado? Em resposta, os católicos afirmaram, de acordo com os ortodoxos, que Maria desde os começos, não conheceu o pecado.
No Ocidente, aceitou-se a doutrina de S. Tomás de Aquino e S. Bernardo que consideram a santidade de Maria como inicial, mas não original. S. Boaventura propõe a concepção seguinte : Maria não escapou ao pecado original, mas ela foi preservada pela graça de Deus.
Este tese é a que foi comumente aceite e que se tornou dogma na definição dogmatica de 1854. O Concílio de Trento voltará à doutrina do pecado original, mas não se prenuncia sobre Maria. Os tempos modernos vão ver florescer o culto a Maria e a festa da Imaculada Conceiçao se veio a impôr no dia 8 de Dezembro. O dogma foi definido em 1854 e, em 1858, é Maria que, nas Aparições de Lourdes, diz a Santa Bernardette : Eu sou a Imaculada Conceição. Assim se confirmva pela mesma boca de Maria, a doutrina sobre a Imaculada Conceição.

A MENSAGEM : Onde se encontra a raiz profunda para podermos proclamar Maria como Imaculada Conceição? Encontramo-la certamente em cada um de nós. Quem não deseja, por mais fracos e pecadores que sejamos, uma humanidade perfeita? Pois, certamente que, em Maria, encontramos o melhor do nosso ser. Que nostalgia sentimos da beleza que a todos nos seduz. Pois em Maria encontramos a beleza, a aurora da manhã, sem sombra e sem nuvem. Por isso, revestimos a Imaculada Conceição de manto azul que, neste Advento, nos aponta a morada de Deus, o azul celeste.
Maria é o esplendor da beleza, porque saiu da Beleza Infinita e Incriada. E, da cor branca do seu manto, nascem todas as cores que irradiam ao Norte, ao Sul, ao Oriente e Ocidente, iluminando todos os povos. Essa luz irradia doçura, bondade, obediência, sabedoria, acolhimento! Maria é forte em todos os momentos da sua vida. Ela é a vitoriosa do mal simbolizado na serpente, descrita na leitura que ouvimos do livro do Génesis. Esta vitória de Maria, criatura como nós,  diz-nos que, também nós, podemos vencer o mal e trabalhar por um mundo reconciliado, sem desequilíbrios e discordâncias, sem imperfeição nem corrupção : « Tu és formosa,  ó Maria! Em ti defeito não há ; criatura assim perfeita; Deus não fez; Deus não fará!..

« Senhora, de brancura imaculada,
Formosa estrela, rútilo Oriente ;
Em teu rosto, fulgor do Sol Nascente
Pois de Deus és divina madrugada!
            O teu olhar, fulgor da madrugada,
            De Paz e amor enche meu coração,
 E com fervor, Maria Imaculada,
 eis-me a cantar a tua Conceição. »


                                                           Padre José Augusto Alves de Sousa, S.J.

domingo, 7 de dezembro de 2014

2º DOMINGO DO ADVENTO


REFLEXÃO SOBRE OS TEXTOS: IS.40,1-5.9-11, 2PED.3,8-14, MC.1,1-8

O Advento é, para nós, cristãos, um tempo forte, durante o qual, não somente em particular, mas em comunidade, se espera o Senhor na fé e não na visão, como diz S. Paulo na Segunda Carta aos Coríntios 4,18. Esperamos o Reino, convictos de que, caminhando na Fé, ele está ao nosso alcance. Não experimentamos ainda a salvação como uma vida que não é mais ameaçada pela morte, pela doença, pelas lágrimas, pelo pecado... Há a salvação trazida por Cristo que nós conhecemos na remissão dos nossos pecados, mas a salvação plena, a salvação de todos os homens e de todo o universo ainda não chegou à plenitude, e por isso, o Advento será sempre a espera do “dia do Senhor” como pensavam os Judeus, o “dia da libertação”, o “dia do Messias”. O Advento leva-nos a esperar o Senhor no fim dos tempos. Nestes dias do Advento, não nos comportemos como se Deus fosse alguém que está para trás de nós, como se nós não encontrássemos Deus senão no Menino de Belém. Mas perguntemos, mais uma vez, neste Advento: Sabemos buscar a Deus no nosso presente e futuro, como sentinelas impacientes que vislumbram, na aurora, o Sol nascente, sentindo na coração a urgência da sua vinda? Deixamo-nos interpelar pelo grito do Padre Theilhard de Chardin: Cristãos, continuamos empenhados em alimentar sempre viva na terra, a chama, sempre vivo o desejo da vinda de Deus às nossas vidas?
OS DOIS ARAUTOS DO ADVENTO:    ISAÍAS E JOÃO BAPTISTA: A primeira leitura e o Evangelho utilizam a imagem duma estrada que evoca a longa marcha de Israel em direcção à Terra Prometida, ao repouso de Deus. Para o Senhor que nos ama nada é impossível. E Deus quer assim incutir esta confiança aos exilados da Babilónia destroçados por se verem privados da sua terra e, sobretudo, do seu Templo, onde ofereciam os sacrifícios e os holocaustos e onde dirigiam as suas orações a Deus. O Profeta que traz esta Boa Notícia, o PRIMEIRO ARAUTO do Advento é o PROFETA ISAÍAS que grita aos exilados de Babilónia: “abri na estepe um caminho para o nosso Deus” e o oráculo deste arauto começa com as palavras de Deus.”Consolai, consolai o meu povo”. Em todos os que sofreram, durante anos, o jugo da escravidão, a humilhação e o exílio, desponta um raio de esperança, neste anúncio do regresso à Terra de Israel. Esta voz é a voz de Deus que se identifica com o seu povo, porque, com ele, viveu também o exílio e, agora, se propõe Ele mesmo ir á frente da caravana a cominho da Terra Prometida. É esta, também, a imagem de confiança que se nos oferece a nós, na caminhada para a terra da salvação na confiança de que venceremos todos os obstáculos porque Deus está connosco, Temos que abrir uma clareira no deserto e rasgar uma estrada nas nossas vidas, uma estrada para Deus. Regressa a esperança e o povo se recordará sempre qual é a sua vocação, a fé como resposta à fidelidade de Deus que nunca o abandona. No Evangelho de S. Marcos, encontramos o SEGUNDO ARAUTO do Advento, João Baptista que, como o antigo arauto, também ele diz: “preparai os caminhos do Senhor e endireitai as suas veredas”. Mas o segundo arauto chama á conversão, isto é, à mudança de mentalidade e de costumes. Não basta nesta conversão dar um salto quantitativo, fazer esta ou aquele penitência, muito válida se feita com alegria interior, pois torna a vida uma verdadeira e nova criação da pessoa. Este segundo arauto chega a dizer que devemos fazer uma declaração pública dos nossos erros para nos reformarmos a nós mesmos e concorrermos, deste modo, para uma sociedade mais justa e fraterna. Não podemos ficar em palavras ou em boas intenções, mas operar uma reviravolta na nossa vida para podermos também operar uma reviravolta na sociedade. Este segundo arauto lembra-nos a nossa vocação e desperta-nos para estarmos vigilantes como dizíamos no primeiro domingo do Advento. E, em terceiro lugar, este arauto aviva a renovação da memória, lembrando o nosso baptismo na água e no Espírito. Foi assim que um dia o povo com Josué, atravessando o Jordão chegou à terra prometida. É para aí que caminhamos neste Natal e o segundo arauto não deixa de apontar esse personagem. Depois de João, há-de vir Outro. João é uma voz que clama no deserto, mas não a Palavra. Ele nem sequer é digno de lhe desatar as sandálias. E o seu baptismo será um baptismo no Espírito, o baptismo definitivo e purificador, porque sobre o baptizado descerá o vento Santo, sopro de Vida, o Espírito Santo.
A MONTANHA A NIVELAR, CONDIÇÃO PARA ACOLHERMOS A MENSAGEM DE ISAÍAS E JOÃO BAPTISTA: Quantas dificuldades temos para nivelar um pedaço de terra e nela plantar os nossos haveres. Hoje, tudo é mais fácil com os tractores e outros instrumentos agrícolas. A montanha de que fala Isaías é símbolo das nossas dificuldades que julgamos, às vezes, intransponíveis. A Bíblia fala muitas vezes do orgulho, símbolo dos montes elevados que desafiam as empresas dos homens e dos lugares altos onde os homens celebram os seus cultos e se entregam a devaneios idolátricos. As ravinas a preencher têm algo a ver com os nossos túmulos, com o vazio dos nossos túmulos, isto é, das dificuldades em que nos atolamos sem esperança de saída. São os naufrágios que cavamos! Com a vinda de Cristo, o homem renasce e a Escritura anuncia-nos o último inimigo a abater, a morte (1Cor,15,26). A conversão que nos é exigida é a conversão à vida. Mesmo que a terceira leitura, nos fale de reconhecer os nossos pecados, não pensemos numa conversão moral, porque esta não é senão a consequência da nossa volta à vida. E aquilo a que chamamos pecado, não se define, em primeiro lugar, como uma contravenção a uma lei, mas como aliança com a morte. Deus ao vir a nós em Jesus Cristo neste Natal não nos trará outra coisa senão a vida!..
CONCLUINDO. Fixemo-nos nas ravinas cheias e nas montanhas niveladas da primeira leitura. Isto é uma imagem da nossa conversão. Não deixemos neste Natal que se aproxima de encher os vales profundos nas nossas vidas caracterizados pelas separações tão dolorosas que apagam todos os nossos sorrisos e nos impossibilitam de apertos de mão pela distância que cavamos.

A liturgia de hoje nos convida à esperança, a crer que, no meio das dificuldades da vida, das perseguições que sofrem os cristãos e que no meio das realidades mais duras, é possível um futuro melhor, porque o Senhor é fiel para com aqueles que «assumem” os valores da verdade, da justiça, da fraternidade. Todas estas esperanças a que nos convidam as leituras de hoje, as lemos com Jesus, sobretudo neste tempo de espera alegra do Natal. Espera de um novo mundo, uma utopia certamente, mas a utopia vivida em Deus que gera uma esperança sempre jovem e mais bela. Que esta esperança não se apague no meio da crise, das dificuldades do dia-a-dia para podermos levar uma vida digna e fiel. Isto é Natal, isto é Jesus Cristo no meio de nós. E não é Ele o EMANUEL?

       Padre José Augusto Alves de Sousa S.J.


Presépio de Machado de Castro na Basílica da Estrela - Lisboa


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

São Francisco Xavier



Então Jesus, chamando a Si os discípulos, disse-lhes: «Tenho pena desta multidão, porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam no caminho».
Disseram-Lhe os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-Lhe: «Sete, e alguns peixes pequenos». Jesus ordenou então às pessoas que se sentassem no chão. Depois tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos dis­cípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão. Todos comeram até ficarem saciados. E com os pedaços que sobraram encheram sete cestos. (Mt 15, 32-37)

REFLEXÃO
Este milagre consiste em partilhar fraternalmente alguns pães que, confiados ao poder de Deus, não só são suficientes para todos, como inclusivamente sobram. O Senhor convida os discípulos para que sejam eles a distribuírem o pão pela multidão. Desta forma, instrui-os e prepara-os para a futura missão apostólica: deverão levar a todos o alimento da Palavra de vida, o do Sacramento. Cristo está atento à necessidade material, mas quer dar algo mais. É a compaixão de Deus por cada um de nós, mas também a im­portância do serviço da caridade para com o próximo.

PROPOSTA DE ORAÇÃO PARTILHADA
Jesus, ensina-me a multiplicar o Teu amor, como o fez São Fran­cisco Xavier. Para que este milagre aconteça, necessito simples­mente de Te oferecer o que eu tenho, o que eu sou, nada mais… nada menos… Tu multiplicarás estes poucos, ou muitos, dons para o bem de todos. Com humildade, ofereço-Te os meus talentos, consciente de que os recebi para os entregar aos demais. Peço--Te que abras o meu coração à compaixão pelo próximo e ao compartir fraternal.

domingo, 30 de novembro de 2014

O Advento e a Alegria


PERMANECER EM VIGILÂNCIA. “Vigiar” é a palavra-chave do Evangelho de hoje, o primeiro Domingo do Advento.
É utilizada com uma insistência quase excessiva: “Acautelai-vos e vigiai”; mandou ao porteiro que “vigiasse”, vigiai”, portanto; digo-vos a todos: “vigiai”. Entre a primeira e a segunda vinda, há um tempo intermediário. Esse tempo é o hoje em que vivemos. Cada dia, o Senhor vem, se nós o acolhemos. E é, por isso, que o primeiro Domingo do Advento é colocado sob o sinal da Vigilância. São Marcos (13, 33-37), diz –nos que o dono da casa partiu, mas em realidade Ele está sempre na nossa vida e no trabalho que nos confiou para pormos os seus talentos a render. É pela fé e não pela visão que descortinamos esta presença contínua e que compreendemos a sua vontade que não é arbitrária, mas confunde-se com a necessidade de que sejamos plenamente humanos para existirmos em verdade e na alegria. Esta construção da nossa existência em verdade é habitada por uma alegria inolvidável: a alegria duma esperança, da certeza da nossa realização plena sempre a construir para que seja uma entrega plena ao Deus das nossas vidas. Por isso, os textos propostos para o Advento, para além de nos exortarem à vigilância, estão também cheios dum apelo à alegria. O Advento é menos um tempo de “penitência”, certamente necessária, mas é, sobretudo, abertura e acolhimento d’Aquele que vem. Não nos encerremos na labuta do quotidiano, mas deixemo-nos invadir por uma esperança gozosa que não podemos captar senão pela fé. Fé na Boa Nova da Vinda de Deus a cada um de nós. Esta alegria não se confunda com uma exultação exuberante. O fruto desta alegria  chama-se “paz”: apaziguamento dos nossos conflitos interiores, superação dos nossos medos, das nossas ansiedades e também das nossas hostilidades. Meditemos na nossa condição de filhos, porque vamos celebrar o nascimento do Filho de Deus e o nosso renascimento. Estamos sempre a caminho, em direcção à plenitude e, de ano a ano, Natal é presença d’Aquele que esperamos e é sempre um convite a um renascimento que nos conduzirá a essa plenitude. Natal é todos os dias, a cada instante e, portanto, sempre novo.

NATAL: POR ENTRE A ESCURIDÃO DA NOITE, COM AS LÂMPADAS ACESAS. É significativo o facto que o Senhor avise que chega durante a noite. Ele vem quando o mundo está em escuridão. E por isso devemos ter as nossas lâmpadas sempre acesas. A mensagem é muito clara e não nos resta alternativa. É preciso estarmos atentos, prontos para toda a eventualidade, preparados para recebermos a visita de Deus. Deus não vem de surpresa, mas vem sempre quando menos se espera. E, por isso, devemos ser como pessoas que vigiam, que esperam. Esta espera não pode ser passiva da nossa parte. Somos chamados a equiparmo-nos para o trabalho, para toda a espécie de boa obra (Paulo), para o serviço aos outros, e a construir com as nossas próprias mãos. Aquele que se entrega ao serviço dos irmãos compreende esta bem-aventurança do Evangelho: “feliz o servo que o Senhor, quando vier encontrar vigilante”. E pensemos: colocar-se ao serviço dos irmãos é celebrar Natal. Assim o façamos, nas Conferências de S. Vicente de Paulo, no Banco Alimentar, nas C.V.X., nas Equipas de Nossa Senhora, na Caritas, na Legião de Maria, no Natal dos Hospitais, nas Misericórdias e noutros Movimentos de cariz social, os existentes ou não nas nossas Paróquias…
Entremos com este espírito no Advento para celebrarmos, na alegria e na Paz, o Natal de 2014!.. 
   P. José Augusto Alves de Sousa sj                           


domingo, 23 de novembro de 2014

FESTA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO,


Ao celebrar a festa conclusiva do Ano Litúrgico com a afirmação da Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, partilho convosco um título que sempre gostei para meu uso pessoal, repondo um título que há muitos anos me chamou a atenção e me confortou:


JESUS CRISTO – CENTRO  dos CORAÇÕES.

Através da estátua do Cristo Rei, tanto no Rio de Janeiro, (então cidade+capital dos Estados Unidos do Brasil,) como de Almada…Lisboa, …Covilhã, e … todo o nosso país, - gosto de ‘sentir’ a presença+olhar de Cristo; olhar+abraço.
Dei-me conta interiormente da novidade destas “estátuas” de Cristo Rei – (a de Lisboa poderíamos dizer que além de homónima e “gémea inspirada” na do Rio de Janeiro:  NÃO TÊM COROA  - E a de Lisboa … tem cá fora o Coração.
Os escultores inovaram por deficiência ou propositadamente ?
Talvez quisessem afirmar mais o olhar+abraço de Cristo do que o seu Senhorio, o Domínio, Realeza ou Poder.
Isto foi o que mais me atraíu e ainda hoje me atrai e espero que me atraia sempre.

Não tem coroa de reinado, ou império, acentuando mais fortemente o abraço que nos acolhe ou recolhe cada dia (- quer olhemos quer andemos ocupados e… sem visão.)
Tenhamos, no entanto, esta certeza psíquico-espiritual: o Seu olhar+abraço acompanha-nos, desde o início das nossas vidas, mais com Amor do que em leitura condenatória de Juiz…
Ele tem autoridade, como Fonte de Vida e de Imortalidade; mas tem mais afecto e compreensão, porque nos conhece como irmãos (Mt.12,46-50;
aceitou viver+partilhar tudo connosco – excepto o pecado (Heb 4, 15; )

Ele é Fonte de Inspiração para a toda a actividade humana – mesmo aquela que deveria significar mais serviço do que domínio, senhorio, lucro ou vantagem.
Na manhã de Sexta-feira Santa, Jesus respondeu a Pilatos: ”Não terias poder algum se te não fosse dado do alto”. (Jo 19,10-11)
Assim deixou que cada ser humano se sentisse actor e desfazedor dos ídolos do poder:
Também o povo=a soldadesca, manifestou a sua profunda repulsa pelos poderes ao vesti-Lo com um manto sujo, pôr-lhe uma cana na mão e uma coroa de espinhos na cabeça. Ajoelharam-se… desrespeitando-O mil vezes.
E a resposta foi: não abandonar até final este símbolo (coroa).
Acrescentou uma leitura profunda ao título da sua condenação. Esse título jurídico de condenação e inglória tornou-se num título de Glória Eterna e Verdade para o povo – Jesus Nazareno Rei dos Judeus. (Jo 19,19-22)
Porquê ?
- Como Filho de Deus, sabe com que Amor Deus Pai criou o mundo e nos criou;
- Como Homem, viveu e sentiu até ao extremo o exercício=resultado do poder sobre Si;

Se o Amor, sem pieguices ou limitações, é a Plenitude e o topo máximo do altar humano, então Ele é, e ficou para sempre, como (… o Amigo e Mestre – CENTRO dos CORAÇÕES.
Durante esta semana procuremos+deixemos que Ele seja Rei,
mas sobretudo o CENTRO dos nossos Corações.


NB. - Aos montes ou colinas já de si naturais, acrescentaram os artistas um trono nosso.

Talvez para Cristo Rei ver e nós vermos com Ele, como são lindas as nossas cidades+capitais e os nossos países. E os países de todo o mundo.
Mas além de lindas, são também “pequeninas” na sua função e autoridade de “capital”…
Mas são importantes para o coração de Jesus ver como nela vivem os irmãos e os amigos de Jesus (“ Não vos chamo servos, mas amigos porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer.”  Jo. 15,15)
O Cristo-Rei (de Almada, de Lisboa, do Pragal, do nosso País…, da Covilhã…) não tem Cruz como no Calvário, não tem Título como na Cruz de Jerusalém, tem roupagem diferente, não igual à da Cruz… Tudo isto porquê ?

Meditemos e encontremos as nossas respostas.

Padre Henrique Rios, sj


sábado, 15 de novembro de 2014

33ºDOMINGO COMUM ANO – A


A PARÁBOLA DOS TALENTOS (Mt. 25, 14-3O) que nos conta a história do Mestre que se ausenta aparece, muitas vezes, nos Evangelhos. Vimos esta ausência na Parábola dos Vinhateiros homicidas que meditámos, uns Domingos atrás, na Parábola das Dez Virgens que era o tema da meditação do Domingo passado e, hoje, na nesta Parábola dos Talentos que acabamos de ouvir. Todas estas Parábolas têm um denominador comum: trata-se dum senhor que se ausenta e que, tempos mais tarde, vem para colher os frutos…A Parábola dos Talentos contem uma lição cheia de modernidade. O “terceiro servo” é condenado sem ter cometido qualquer acção má. O seu único erro consiste “em não fazer nada”: não arrisca o seu talento, não o faz frutificar e o conserva intacto, num lugar segura (J.A.Pagola).

EXTREMA CONFIANÇA DE DEUS: A CRIAÇÃO ENTREGUE NAS NOSSAS MÃOS: A ausência de Deus, deixando o homem entregue à sua liberdade faz pensar numa grande interrogação que já vem desde o Antigo Testamento: Que faz Deus? Dorme? Está surdo? Onde está o teu Deus, perguntam os descrentes, os sem Deus, ao homem bíblico e a mim que me encontro desamparado (Salmo 42 e 11)? Onde estava Deus, durante o Tufão que se abateu sobre as Filipinas, há uns tempos atrás, causando milhares de mortos, perguntavam-se os habitantes das ilhas afectadas e nós, juntamente com eles? Onde está Deus nas grandes epidemias que dizimam vidas? Uma pergunta que se coloca a propósito das grandes catástrofes e até genocídios. Jesus não insistiria tanto sobre a ausência do Mestre, se a nossa crença espontânea não tivesse a tendência de ver em Deus o autor de tudo o que passa debaixo sol: Inconscientemente ou conscientemente dizemos: pois é, Deus enviou-lhe esta doença, esta prova. Coitado!..Ora o Mestre da Parábola dos Talentos ausenta-se. O Criador ausenta-se, entra no repouso do Sétimo Dia e entrega a criação nas nossas mãos, confiando-a à nossa liberdade para que a possamos gerir e dominar. Concluímos, Deus não quer o nosso mal. Ele não só está inocente sobre aquilo que nos acontece, mas é inimigo das nossas desgraças como o revelam os actos de Cristo. Deus não quer as catástrofes, mas os acontecimentos que se sucedem convidam-nos à reflexão. Santo Inácio dizia: “entrega-te à acção (livremente, vigorosamente) como se Deus fizesse tudo e tu nada. Agradece a Deus como se tu tivesses feito tudo e Ele nada”. Nós temos por isso de agradecer a Deus, porque nos fez à sua imagem, criadores. Os talentos vêm do Mestre, de Deus, mas a nós pertence encarregar-nos deles e de tomarmos conta de tudo aquilo que a vida nos oferece, nos propõe e nos impõe. E o que sucedeu e sucede com aqueles a quem Deus confia os Talentos para os gerir?

A NÓS A GERÊNCIA E O FAZER FRUTIFICAR OS TALENTOS: A primeira coisa que temos de dizer é que Deus apenas nos confia os talentos, mas não nos diz o modo como os vamos pôr a render. Isso depende da nossa imaginação, do nosso trabalho. O que devem fazer os servos da Parábola é puxar pela cabeça e empregar todo o seu engenho e esforça. O Decálogo (as Dez Palavras) manda-nos que amemos a Deus e ao próximo, mas não nos diz o modo de fazê-lo. Enumeram-se simplesmente as condutas que balizam o caminho: “não mataras, não cometas adultério...” Se saímos delas, escorregamos e faltamos ao amor. O amor não se comanda. Não vem do exterior, mas sai de dentro de nós mesmos. O terceiro servo não é censurado pelo que fez mas pelo que deixou de fazer. Pecado de omissão. Não digamos: eu não mato nem roubo, nem vejo o meu pecado, porque Jesus no Capítulo 25 de S. Mateus diz-nos: “Eu tive fome e não me deste de comer…” O valor das nossas vidas mede-se sobretudo pelo bem que omitimos ou deixamos de fazer. O rico avarento é condenado não porque faz boas refeições, mas porque não olha nem sequer para Lázaro que jaz à sua porta (Lc.16, 19-31) Concluindo: O Senhor não nos diz como amar, mas dá-nos um coração para amar. Deus está ausente enquanto causa de tudo aquilo que acontece mas ele está presente nas nossas decisões e nas nossas acções. Está activo na energia e inteligência que os servos gastam para colocar a render os talentos. Mas não está presente na inércia daquele que enterrou o talento na terra, imagem da sepultura e da morte. Quem não trabuca não manduca e apressa a sua morte cavando a sua sepultura. Ao contrário os dois primeiros servos entraram para a sala do banquete, na alegria do seu Senhor.

UMA AUSÊNCIA-PRESENÇA: De certa maneira, o Mestre ausentou-se, mas, em realidade, Ele está presente e nós é que temos o poder de cortar com Ele e, então, ficamos abandonados à nossa sorte e tornamo-nos ramos secos como nos explica Jesus no Evangelho de S. João15.1-8. Nós fazemos frutificar os talentos na medida em que permanecemos n’Ele e Ele permanece em nós. Tudo o que fazemos de bom, é obra de Aliança, de matrimónio entre a liberdade do homem e a liberdade de Deus. A nossa parábola dos talentos põe o acento do lado da liberdade do homem, mas mesmo assim é o Mestre que nos confia os talentos, esperando a volta de Cristo. Daqui até lá, não fazemos senão um com o Pai e o Filho no Espírito (Marcel Domergue)

DEUS E O TERCEIRO SERVO; QUEM É O NOSSO DEUS? É lastimosa e até perversa a imagem que o terceiro servo, nos faz de Deus. Chega a chamar preguiçoso a Deus, pois diz: “Eu sabia que tu és um homem severo que colhes onde não semeaste, tive medo e enterrei o teu talento”. Para ele, Deus é preguiçoso, pois colhe onde não semeou. Que acusação!.. Nesta mesma tentação, caíram Adão e Eva que se deixaram levar pela voz do tentador: Deus é mentiroso, diz o demónio, porque Ele vos disse: se comeis deste fruto morrereis. Ora isto não é verdade. Pelo contrário: se comeis do fruto, vós vos vereis como Deus e Deus não quer isso, porque Ele é invejoso e avaro da sua natureza, dos seus bens e não os quer comunicar a ninguém Esta tese do tentador é completamente contrária à conduta de Cristo em Filipenses 2 (Ele que era de condição divina não fez valer ciosamente a sua condição de ser como Deus”). Eis aí, o inimigo do Homem que é inimigo da Vida. É a tentação de Prometeu, o deus grego, que quis roubar o fogo a Deus para ser como Deus. Traduzindo isto do Génesis em palavras mais compreensíveis, dizemos: temos também nós a tentação de ver a Deus como um senhor exigente, um vigilante cioso do seu dever, uma espécie de câmara de vigilância que nos surpreende nos mínimos actos, um juiz severo? Por graça do mesmo Deus, não vemos assim o nosso Deus, pois isso seria desconfiar d’Ele e a desconfiança é completamente contrária à fé.

PERGUNTAS: Que faço dos tesouros do reino que o senhor me encomendou? Como vivo o meu Baptismo, o meu Matrimónio? Como aprofundo a minha fé e a minha confiança em Deus? Como ponho a render a meu favor, a favor da minha família e dos outros, estes talentos que o Senhor me confiou? Como participo na missão de divulgar o Evangelho da alegria? Será válida a acusação que fazem aos cristãos, quando se diz que passam a vida a olhar o céu, esquecendo-se da terra? Como leio o Evangelho de Mateus Capítulo 25? Contento-me com presumir que conheço o Mestre (também o terceiro servo dizia que o conhecia, embora muito mal) e, depois, nada fazer para pôr a render o capital que me confiou?

CONCLUINDO: Feliz o servo fiel. Temos que prestar contas daquilo que nos foi confiado e é isso que constitui a nossa grandeza. Deus toma-nos de tal modo a sério que Ele nos torna responsáveis pela gerência dos seus bens. A todos pede para lhe darmos contas, mas Ele não pede a cada um a mesma coisa. Pede somente em função daquilo que a pessoa recebeu e que humildemente lhe pode oferecer. Não tenhamos medo de oferecer a Deus os frutos magros dos pequenos arbustos que somos, porque o que Deus nos pede é acreditar no amor que nos dá a nossa fecundidade. Uma atitude de medo como foi a do terceiro servo, não deve ser a nossa, mas sim um sentimento de confiança e abandono. É ISTO A FÉ!..

Bibliografia consultada: José António Pagola: BUENAS NOTICIAS e Marcel Domergue: DECOUVRIR LA PAROLE DE DIEU

P. José Augusto Alves de Sousa


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SEMANA DOS SEMINÁRIOS - ORAÇÃO


Até ao dia 16 novembro, celebra-se em Portugal a Semana dos Seminários, este ano com o tema “Servidores da Alegria do Evangelho”.

Aqui fica uma oração que todos podemos ainda rezar durante estes dias.


Fonte: padrehugo.com

ACOLHER E COMUNICAR A ALEGRIA DO EVANGELHO


“É a marca de quem permanece no amor de Deus”
Uma catequese vocacional para a infância
«… a alegria do Evangelho não é uma alegria qualquer!
Tem a sua razão de ser no «saber que se é acolhido e amado por Deus»

Papa Francisco, 15 de Dezembro de 2013